Argumentos contra fatos

“É costume dizer-se que contra fatos não há argumentos. Ora só contra fatos é que há argumentos. Os argumentos são, quase sempre, mais verdadeiros do que os fatos. A lógica é o nosso critério de verdade, e é nos argumentos, e não nos fatos, que pode haver lógica”.

O pensamento que inicia esta coluna é de Fernando Pessoa e é a partir dele que tentaremos “entender” uma personagem que neste período pré-eleitoral (só na conta do TRE!) “freqüenta” os diferentes setores da sociedade: o político. Esta “figurinha fácil” está em tudo quanto é lugar, seja nos botecos, nas padarias, nas repartições públicas ou nas igrejas e sempre com um sorriso maroto, sendo que a estampa não condiz com as intenções que traduzem com perfeição a intenção do sorriso.

O político – neste caso, a exemplo de colunas anteriores, também devemos respeitar as exceções – opta por, quase que invariavelmente, recorrer aos fatos para encobrir a falta de argumentos e conta sua história sempre a partir de uma perspectiva que lhe interesse diretamente, numa narrativa que apresenta fatos meramente ilustrativos, distantes da realidade dura da vida e incapaz de macular sua própria imagem.

Ao se ancorar no discurso de que “contra fatos não há argumentos”, cria um cenário favorável para si mesmo e peneira os fatos que podem assegurar futuro mais promissor na “espetacular arte de iludir o pobre cidadão/eleitor”. O fato narrado e não pesquisado é “uma imagem meramente ilustrativa”, uma embalagem colorida capaz de mexer com os brios do espectador. 

O mais importante neste momento de tomada de decisão, ocasião em que traçaremos o destino da cidade ao escolher prefeito e vereadores, é conhecer o histórico pessoal e político do candidato (pré-candidato é vocábulo jurídico!) sob a ótica dos argumentos e não dos fatos, sendo que o argumento que se pretende atingir não deve se ocupar da narração de fatos e aí é que reside o problema.

Já parou para avaliar a construção do discurso de um político? Já percebeu que na maioria dos casos ele opta em sua falação por contar grandes feitos, atos “nobres em favor do povo” (tem alguns que até dão uma entonação diferenciada e dizem pôvu – cruzes!)? É prova de que os argumentos são rasos, fracos, inconsistentes. Vivemos o momento de um blá-blá-blá interminável!

Em Cabo Frio, cidade que conta com o maior número de jornais, rádios, tevês e blogs – e também com o maior orçamento! – temos a oportunidade de melhor avaliar quem é quem a partir dos fatos e não dos argumentos porque somos surpreendidos, “todo santo dia”, com informações nada “católicas” dando conta da vida deste ou daquele candidato. Experimentamos o desperdício de conteúdo e nos tornamos “analistas do nada”, debruçando-nos sobre leituras pautadas por picuinhas, factóides e muito “besteirol”. (Por favor, salvaguardemos as exceções!).

Argumentos sólidos são raríssimos e para chegarmos a esta conclusão basta esbarrarmos na grande maioria dos candidatos e fazer a seguinte pergunta: “você quer ser prefeito por quê?” ou “por que você pensa em ser vereador?”. Tem gente que olhará para o céu na tentativa de encontrar respostas nas nuvens ou no “divino” e outros ainda coçarão a cabeça ou levarão um das mãos até o queixo e não chegarão a conclusão alguma. Se avaliarmos bem, são poucos os que sabem o que querem e o querem por saber que é o melhor para a cidade.

Há, ainda, uma corrente pseudo-intelectual que se vale de tudo quanto é biografia para ludibriar os que “pensam que sabem pensar”, os que não querem pensar mesmo e os que “mesmo pensando não sabem o que pensar”.

A política tem muitas nuances e, por isso, devemos nos ater ao teor dos argumentos, perceber os fatos e, então, conhecer a “essência” do político. Toda logicidade do “sistema” passa pela compreensão do argumento. O fato a gente constrói a nosso bel-prazer!

CARACTERÍSTICA MARCANTE
da maioria dos políticos é subtrair da cronologia o tempo chamado “passado”. Por regra, nossa vida é organizada em passado, presente e futuro. Mas, como os fatos pretéritos nem sempre contribuem favoravelmente para a reputação de alguns, é melhor falar tão-somente em presente e futuro, o que, dependendo dos argumentos, pode surtir efeitos eleitorais.

Importa, no entanto, para o eleitor “vasculhar” a vida do candidato e saber se as palavras por ele proferidas são condizentes com a realidade. Tem muita gente ouvindo “história pra boi dormir” e “batendo palma pra maluco dançar” sem atinar para o que realmente traduzem os fatos e apresentam os argumentos.

ALIÁS,
é bom que se registre que determinados “cidadãos” se apresentam como paladinos da lisura, da moral e da boa conduta como se o passado não os incriminasse. Com os recursos tecnológicos dos dias atuais e o efeito Big Brother toda pessoa é pública. #ficaadica!
Argumentos contra fatos Argumentos contra fatos Reviewed by Alessandro Teixeira on 11.2.15 Rating: 5

Nenhum comentário:

Tecnologia do Blogger.