Professor: o lado mais fraco do sistema educacional

Há uma expressão comum e rotineiramente usada para destacar a consequência dos eventos sociais: “a corda arrebenta sempre do lado mais fraco”. E assim tem sido com a classe docente. A tomada de decisões pelos governos em relação à Educação fatalmente afeta a vida dos professores, seja no aspecto financeiro ou da carga horária.

É o que acontece na cidade do Rio de Janeiro, onde a Prefeitura, via resolução, decidiu pela redução de seis para cinco o número de tempos semanais de Matemática e Português para as turmas do 6º ao 9º ano do ensino fundamental nas escolas da rede municipal. 

Por conta da “manobra” do Executivo daquela cidade, os professores estão tendo que complementar a carga horária trabalhando no reforço escolar, situação que levou o Sepe – sempre o Sepe! - a contestar a medida, por avaliar que ninguém é obrigado a atuar no reforço.

O prefeito fez alterações questionáveis na matriz curricular ao reduzir o número de aulas semanais de disciplinas consideradas capitais e, como consequência, alterou a rotina dos professores, que a partir da agora deverão complementar a carga horária em outro ambiente, exercendo função para a qual não há previsão legal. Tanto é que a mesma resolução que estabeleceu os cinco tempos por semana de Português e Matemática determinou que as atividades opcionais para os alunos, como o reforço escolar, devem ser realizadas por voluntários, estagiários ou parceiros. 

Absurdos dessa natureza contra os profissionais da Educação a gente vê todo dia e em todos os lugares. Aqui na Região não é diferente. Em Cabo Frio, Búzios e São Pedro da Aldeia, por exemplo, o professor contratado recebe 20% a menos que o concursado para exercer a mesma atividade pelo mesmo período de tempo. Em Arraial do Cabo, o Poder Executivo não tem habilidade suficiente para dialogar com a categoria e se orgulha em nota oficial divulgada para a imprensa dando conta de previsão de punição para os grevistas.

Na próxima segunda-feira, dia 23, o ano letivo começará definitivamente e nas salas de aula teremos o professor desestimulado e pressionado pelo sistema (aqui estão incluídos, em muitos casos, a direção da unidade escolar, pais e secretarias de Educação). Ainda assim há os que veem a Educação como engrenagem de propulsão para o desenvolvimento da nação.

Veja a íntegra da Resolução da Secretaria de Educação do Rio. (página 16)

Professor: o lado mais fraco do sistema educacional Professor: o lado mais fraco do sistema educacional Reviewed by Alessandro Teixeira on 20.2.15 Rating: 5

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