“A COMSERCAF representa o que há de mais pernicioso desse modelo fracassado de gestão”, diz Janio Mendes

A semana tem sido agitada sob o aspecto dos embates políticos envolvendo aqueles que deverão protagonizar o cenário eleitoral em 2016. De um lado vemos o prefeito Alair Corrêa (PP) com suas declarações sobre a crise e o próprio governo, e de outro vemos os que militam nas trilhas da oposição, onde estão o ex-prefeito Marquinho Mendes (PMDB) e o deputado estadual Janio Mendes (PDT).

No entanto, ainda que haja motivação e altas doses de política no enredo das entrevistas concedidas pelos “figurões” municipais, a questão financeira tem sido o motivo de trocas de farpas entre os três. Enquanto o prefeito justifica a fase ruim do orçamento público municipal frente à queda do repasse dos royalties do petróleo e a descrença do mercado internacional em relação às ações da Petrobras, imersa em escândalos de corrupção, Marquinho e Janio Mendes creditam o momento à imperícia administrativa de Alair Corrêa.

Janio Mendes, no entanto, tem focado seu discurso na COMSERCAF, autarquia municipal responsável pela limpeza e manutenção dos logradouros municipais. Para o deputado, a COMSERCAF “é uma empresa nociva para a sociedade cabo-friense”. 

Em entrevista exclusiva ao blog, Janio Mendes diz que vai pedir que a Justiça acautele todos os documentos da autarquia, alegando que “a COMSERCAF representa o que há de mais pernicioso desse modelo fracassado de gestão” e que “é fundamental preservar a memória desses documentos”.


Leia a entrevista:

Você fez uma declaração forte a partir do pronunciamento do prefeito Alair Corrêa que, dentre outras coisas, anunciou a extinção da COMSERCAF. Em seguida, você anuncia que vai pedir que a Justiça acautele os documentos da autarquia. Por quê?

Janio Mendes – É fundamental que seja preservada a memória desses documentos, uma vez que a discussão do momento de crise é para saber o que foi feito com cada centavo dos recursos públicos. Precisamos trazer novas práticas para a aplicação desses recursos que consigam superar esse modelo fracassado. Eu considero que a COMSERCAF representa o que há de mais pernicioso desse modelo. Então, acautelar esses documentos faz-se necessário para que possamos dar a transparência e mostrar à população aquilo que foi feito com o dinheiro público.

A partir de quando você pretende entrar com essa medida de acautelamento dos documentos da autarquia?

Janio Mendes – Já estou na fase final de elaboração do documento e pretendo encaminhar ao Ministério Público um ofício nesta direção. Também estou uma ação própria para que o Judiciário se manifeste por liminar.

O prefeito Alair Corrêa disse que Cabo Frio tem duas Prefeituras: uma da qual ele é prefeito e outra da qual o prefeito é o presidente da COMSERCAF. O que você pensa a respeito disso?

Janio Mendes – Espantou-me a afirmativa de que os mesmos serviços praticados pela COMSERCAF custam à Prefeitura 40% mais caro. É um absurdo manter uma Prefeitura com este padrão. Essas contas não irão fechar nunca porque não existe equilíbrio. É o símbolo da incompetência de gestão neste momento. É aquilo que eu tenho dito: a nossa crise é de competência.

Pelos números divulgados pela Prefeitura, a COMSERCAF usou R$ 40 milhões além do que o previsto para 2014. E você disse, em entrevista na TV, que aquela autarquia é o ralo da corrupção de Cabo Frio. Mantém o discurso?

Janio Mendes – Com certeza! O desequilíbrio, a falta de ajustes nas contas, a falta de controle processual geram as dúvidas que são lançadas sobre a contabilidade da COMSERCAF.

O presidente da COMSERCAF disse que vai te processar por conta de suas declarações a respeito da autarquia. O que você pensa disso?

Janio Mendes – Eu considero extremamente positiva a judicialização dessa discussão. Considero esse debate necessário nesse momento e estou à disposição da Justiça para, a partir dos documentos da COMSERCAF, podermos mostrar à população que de fato aquela empresa se constitui como uma empresa nociva para a sociedade cabo-friense.

Você tem feito uma comparação entre a realidade econômica de Cabo Frio com outros municípios do Estado do Rio, sendo que sua prioridade tem sido o debate sobre os números da arrecadação própria.

Janio Mendes – Existem alguns absurdos. Por exemplo: somos a oitava cidade em arrecadação geral no Estado e somos a trigésima quinta cidade em arrecadação per capita de ISS. Isso é uma demonstração clara de que nós não estamos transformando nossa riqueza em serviço. Não estamos multiplicando a nossa riqueza e estamos gastando mal o dinheiro público. Na verdade, estamos deixando esvair pelo ralo da corrupção o dinheiro que deveria estar sendo transformado em riqueza para a nossa população. Nós temos hoje município pobre como Aperibé que usa 21,8% da sua receita em investimentos; temos um município médio como Saquarema que usa 26,6% da sua receita em investimentos; e o município de Cabo Frio destina apenas 9% da sua receita para investimentos. Esse é um quadro que comprova que a situação crítica que estamos vivendo e a necessidade que temos de mudar esse modelo de gestão no qual estamos mergulhados nos últimos 20 anos e que é nocivo à cidade.

Cabo Frio não é, historicamente, uma cidade voltada para o planejamento. Você acha que ainda há tempo e espaço para mudanças tão profundas?

Janio Mendes – Eu sou defensor da tese de que chegamos ao fundo do poço. E quando você chega ao fundo do poço, não há como afundar mais; ali você só tende a subir. Então, essa é a esperança que me move. Temos que mudar o modelo para a cidade voltar a crescer. Isso é possível!

OBSERVAÇÃO: Fica assegurado o espaço para manifestações contrárias.


“A COMSERCAF representa o que há de mais pernicioso desse modelo fracassado de gestão”, diz Janio Mendes “A COMSERCAF representa o que há de mais pernicioso desse modelo fracassado de gestão”, diz Janio Mendes Reviewed by Alessandro Teixeira on 15.4.15 Rating: 5

4 comentários:

  1. O caminho que a cidade deve tomar.

    (Texto publicado em 30 de abril de 2012)

    A cidade precisa ser eficiente, tem que dar resultado. O crescimento e o desenvolvimento econômico precisam ser reais e a população precisa ter qualidade de vida e justiça social. A cidade precisa estar em consonância com o Estado, com a União e com os demais entes do poder público. Na busca pelo desenvolvimento a cidade precisa explorar suas vocações naturais e criar novas oportunidades. A cidade precisa viabilizar o acesso ao conhecimento e à informação para a sua população, precisa oferecer uma educação de vanguarda e de qualidade. A cidade precisa viabilizar a saúde pública, prezando pela saúde preventiva, que atenda com conforto e qualidade a totalidade da população e que tenha todos os níveis de atendimento ou que participe de um consórcio regional para o mesmo fim. A cidade precisa de uma política fiscal capaz de incentivar e estimular o crescimento e o fortalecimento do comércio e da indústria local. Em fim, a cidade precisa de políticas públicas estruturantes e sólidas, definidas estrategicamente, que lhe garantam resultados positivos e viabilidade.

    A cidade tem sua dinâmica, sua vida própria, ela é mutável, segue crescendo naturalmente. Por isso, não podemos permitir que ela cresça de qualquer forma, sob pena de amanhã termos uma cidade que não ofereça qualidade de vida aos seus habitantes, que se inviabilize porque cresceu de forma equivocada. A cidade precisa saber onde estão seus gargalos, quais são seus problemas e suas deficiências, para poder superá-los. A cidade tem que ser pró ativa e sua administração tem que estar em consonância com os anseios e com as necessidades da população.

    A cidade como um todo precisa saber o que quer, precisa se livrar de seus fantasmas e seguir em frente. Não podemos mais tolerar a desordem, o desperdício, o roubo, a corrupção, o inchaço da máquina pública e a falta de objetividade nas ações do poder público, entre outras coisas. O caminho que a cidade deve tomar é o da consciência coletiva para um futuro mais justo, digno e equilibrado, onde desenvolvimento econômico, geração de emprego, geração de renda, qualidade de vida e sustentabilidade sejam suas premissas. A decisão é nossa e vamos materializa-la na escolha de nossos representantes. Quem aponta o caminho somos nós. Vamos em frente !!!


    Bernardo Ariston

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  2. O caminho que a cidade deve tomar.

    (Texto publicado em 30 de abril de 2012)

    A cidade precisa ser eficiente, tem que dar resultado. O crescimento e o desenvolvimento econômico precisam ser reais e a população precisa ter qualidade de vida e justiça social. A cidade precisa estar em consonância com o Estado, com a União e com os demais entes do poder público. Na busca pelo desenvolvimento a cidade precisa explorar suas vocações naturais e criar novas oportunidades. A cidade precisa viabilizar o acesso ao conhecimento e à informação para a sua população, precisa oferecer uma educação de vanguarda e de qualidade. A cidade precisa viabilizar a saúde pública, prezando pela saúde preventiva, que atenda com conforto e qualidade a totalidade da população e que tenha todos os níveis de atendimento ou que participe de um consórcio regional para o mesmo fim. A cidade precisa de uma política fiscal capaz de incentivar e estimular o crescimento e o fortalecimento do comércio e da indústria local. Em fim, a cidade precisa de políticas públicas estruturantes e sólidas, definidas estrategicamente, que lhe garantam resultados positivos e viabilidade.

    A cidade tem sua dinâmica, sua vida própria, ela é mutável, segue crescendo naturalmente. Por isso, não podemos permitir que ela cresça de qualquer forma, sob pena de amanhã termos uma cidade que não ofereça qualidade de vida aos seus habitantes, que se inviabilize porque cresceu de forma equivocada. A cidade precisa saber onde estão seus gargalos, quais são seus problemas e suas deficiências, para poder superá-los. A cidade tem que ser pró ativa e sua administração tem que estar em consonância com os anseios e com as necessidades da população.

    A cidade como um todo precisa saber o que quer, precisa se livrar de seus fantasmas e seguir em frente. Não podemos mais tolerar a desordem, o desperdício, o roubo, a corrupção, o inchaço da máquina pública e a falta de objetividade nas ações do poder público, entre outras coisas. O caminho que a cidade deve tomar é o da consciência coletiva para um futuro mais justo, digno e equilibrado, onde desenvolvimento econômico, geração de emprego, geração de renda, qualidade de vida e sustentabilidade sejam suas premissas. A decisão é nossa e vamos materializa-la na escolha de nossos representantes. Quem aponta o caminho somos nós. Vamos em frente !!!


    Bernardo Ariston

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  3. Quanto aos números de investimentos é muito clara a corrupção, nada absolutamente nada, é feito nesta cidade a pelo menos vinte anos sim, vejam os casos das vias públicas, ruas e rodovias da cidade, a estrada do guriri esta sempre nos noticiários com índice altos de acidentes, muito pouco ou nada foi feito nas periferias de cabo frio. Quanto a hospitais e escolas um verdadeiro lixo, não precisamos ser especialistas para verificar tal situação, basta andar pela cidade perceber o lixo que todos os serviços são prestados! Vai ser muito difícil uma recuperação com a mentalidade do morador da cidade, até porque sempre os que se beneficiam das benesses estão sempre abertos ao conluio. Quanto a população essa que se lasque! lamentável!

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    1. Verdade. Tudo um LIXO. O transporte público então, não é pouco LIXO não. Cabo Frio tá um favelão.

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