"Não estou indignada com a crise, mas sim com a escolha das palavras, que devem ser medidas", desabafa professora

Sabe, o quanto dá eu fico no meu canto, quietinha.... Só que eu sou um ser pensante, uma formadora de opinião... Assim sendo, se vai me chamar pra comer jiló, quero ser útil também pra comer melado.

Digo isso porque quando minha linda cidade se fartava com os milhões dos royalties ninguém me chamou, ninguém disse "vamos ser solidários com nossa fartura". E não falo isso em campo particular, falo isso socialmente. O hospital, o transporte, a segurança, a educação e todas as outras áreas já estavam em crise e não era por conta do petróleo. 

Portanto, a solidariedade neste momento não é um pedido, é a ÚNICA opção. Ou aceitamos o pouco oferecido ou não temos nada. A conta é simples: quem não quiser pagar um e cinquenta pela passagem, pagará três reais ou simplesmente vai a pé. Isto é o que está nas entrelinhas.

Entendo o que é crise e sei que podemos superar. O que não se pode superar é a falta de organização. Somente com organização a crise será superada. 

Então, temos o Hospital Municipal Otime Cardoso dos Santos, que atende a população do Grande Jardim Esperança.Diga-se de passagem que a população do Grande Jardim Esperança ultrapassa a população de municípios como Iguaba ou Búzios. 

Antes da coletiva do prefeito de Cabo Frio, já tínhamos a notícia de que a unidade está sem ambulância por conta do rompimento do contrato de leasing de carros que são alugados para a prefeitura. Ontem, 02/04, não teve pediatra na emergência e todos sabem que isto e por questão salarial. 

Me foi sugerido dar um pulinho na UPA, caso meu filho REALMENTE estivesse passando mal. Quase falei: "Ele não tá passando mal não, é que eu to sem nada pra fazer em casa e queria aproveitar a "farra do cartão de cinquenta centavos" pra ficar vagabundeando por aí, me espremendo em um ônibus mega lotado, com uma criança ardendo em febre, por que a empresa não tá nem ai pro seu usuário...". 

Enfim... Só que ontem já era o começo do feriadão da Semana Santa... Faltou o que? ORGANIZAÇÃO!

Toda sexta-feira meu filho sai mais cedo da escola por falta de professor. E esse quadro se repete em todas as escolas, antes mesmo da coletiva. Os tablets foram entregues, e só servem pra jogar, ouvir música e tirar fotos, não tem nada que sirva de suporte educacional. Falta o que? ORGANIZAÇÃO!

Há tempos, a maioria das minhas postagens é referente à empresa de ônibus e à falta de fiscalização municipal com o serviço oferecido por esta concessionária chamada Auto Viação Salineira/Montes Brancos. A informação que foi divulgada é que o Vermelhão tinha passagem de R$1,50 porque tinha ar condicionado, e que a partir do ano que vem, isso seria o padrão na cidade: todos os ônibus com ar condicionado e com este valor de passagem, o que de certa forma extinguiria a passagem de R$0,50. Isso foi antecipado, o valor agora geral é de R$1,50 (sem ar condicionado) e não falaram nada do valor do vermelhão...(só para ficarmos atentos)... E a Câmara de Vereadores, aquela que eu critico por omissão, repetiu seu costumeiro papel: se omitiu! Seria um problema de ORGANIZAÇÃO???

Então, por favor, vamos nos organizar. Se o Grande Jardim Esperança abriga a população carente de Cabo Frio e hoje tem infraestrutura para que seus moradores possam resolver suas questões no próprio bairro, que isso seja mantido de forma organizada. 

Não tem sentido ter escola, hospital, cemitério, subprefeitura, se quando precisamos temos que recorrer a outras localidades. Que haja, neste momento de crise, um mínimo de organização, ou então que se exonere quem não sabe o significado desta palavra ou que não sabem colocar em prática o sentido real desta palavra.

E, para finalizar, tenho observado em diversas áreas que tentam nos limitar em nosso direito de ir e vir, seja pela violência, pelos pedágios ou de qualquer outra forma. Limitar o uso do Cartão da Dignidade é também limitar o direito de ir e vir. 

Supondo uma mãe que saiu pra trabalhar no centro de Cabo Frio, saindo do Jardim Esperança pela manhã - foi uma passagem. A tarde ela chega em casa - duas passagens. Se o filho dela passar mal e não tiver médico no Hospital, ela vai ter que dar um "pulinho" na UPA, por conta própria, já que não temos mais ambulância. Então ela pagará três reais pra ir e três pra voltar . E haja DIGNIDADE!!!!

Sou solidária, mas vivo num mundo real, onde dependo do transporte coletivo público, da saúde pública, da educação pública, da segurança pública, direitos que me são assegurados por lei, bem como meu direito de ir e vir sem ter que ser chamada de vagabunda, pois pode não parecer, mas R$0,50 é dinheiro e não cai do céu!

Não estou indignada com a crise, nem com as medidas, mas sim com a escolha das palavras, que devem ser medidas antes de serem proferidas.

Silvana Braga é professora de história e moradora do bairro Jardim Esperança. 


"Não estou indignada com a crise, mas sim com a escolha das palavras, que devem ser medidas", desabafa professora "Não estou indignada com a crise, mas sim com a escolha das palavras, que devem ser medidas", desabafa professora Reviewed by Alessandro Teixeira on 3.4.15 Rating: 5

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