Alair Corrêa “debate” com servidores em frente à Prefeitura

Em decisão conjunta, os sindicatos dos servidores públicos municipais de Cabo Frio marcaram para a manhã desta quinta-feira, dia 28, o início da paralisação de 48 horas em resposta à proposta de reajuste apresentada pelo prefeito Alair Corrêa na reunião do dia 19.

Os sindicalistas, que organizaram o Movimento Unificado, agendaram um ato em frente à sede da Prefeitura, no Centro da cidade, para expor para todas as categorias a decisão de não aceitação do reajuste de 5,83% nos salários a partir do mês de abril, bem como a pauta com todos os itens a serem discutidos com o prefeito.


Uma vez reunidos, representantes de diferentes categorias começaram a proferir uma sequência de discursos e palavras de ordem, chamando a atenção do prefeito e dos presentes para os inúmeros desencontros entre as reivindicações dos servidores e os atos do Executivo. O ponto alto, no entanto, foi a chegada de Alair Corrêa para um “debate” com o Movimento Unificado, ocasião em que tentou justificar o cancelamento da reunião programada para hoje.

Alair Corrêa alegou, entre aplausos e vaias, que não havia sentido manter uma reunião quando os próprios sindicatos encerraram a fase de negociações ao programar, para o mesmo dia em que o assunto voltaria a ser discutido, o início de uma paralisação com previsão de duração de 48 horas.



- Nós precisamos retomar primeiro o assunto da definição do índice do salário e, depois que definirmos esse caso, nós retomaremos o resto da pauta [de reivindicações]. Não foi isso o que nós fizemos? Não foi isso o que ficou decidido? Nós marcamos para tratar do reajuste na manhã de hoje, disse Alair Corrêa.

A proposta do prefeito, no final de sua exposição, foi de retomar - tanto a pauta da reposição salarial, quanto dos demais itens de interesse dos servidores – a discussão na próxima segunda-feira, dia 1° de junho, às 11h. “Vocês têm dois dias de greve. Na segunda-feira, quando vocês saírem da greve, vamos voltar a tratar desses assuntos. Mas antes eu vou deixar uma fotocópia da receita com cada um de vocês”, finalizou o prefeito.

COMENTÁRIO

O que vimos na manhã de hoje foram erros das duas partes envolvidas no processo. O prefeito errou antecipadamente, quando creditou à política a essência do movimento dos servidores públicos. 

Como sabemos, todo movimento é político por refletir uma causa, por trazer em seu bojo um desejo coletivo, por ter como norte uma pauta de reivindicações. Essas manifestações, sendo políticas, endossam o caráter democrático da sociedade em que vivemos. Nosso Estado se viabiliza pela democracia e pelo respeito às diferentes opiniões. O contraditório é salutar!

Política social – ou sindical – é imprescindível para o desenvolvimento. Fico aqui com trecho de Martinho da Vila, que na música “Verdade Verdadeira” diz que “toda rosa é uma flor, mas nem toda flor é uma rosa”. Todo movimento é político, mas não necessariamente partidário. Se o prefeito confunde essas “estações”, ele está na contramão do mundo – do nosso mundo.

Quanto ao erro dos sindicatos, é sempre bom trazer à memória o que fora acordado na reunião do dia 19, que também noticiei aqui. De acordo com informações dos próprios sindicalistas, o combinado é que a proposta do prefeito seria apresentada em assembleia e, já com a decisão coletiva, o assunto retornaria à “mesa de negociações” em reunião agendada para hoje de manhã.

Ocorre que, além de rejeitar a proposta do prefeito, a assembleia, no seu exercício de soberania, decidiu pela paralisação de 48h. Ora, a paralisação é um expediente que traduz o esgotamento da tentativa de antecipada negociação. É uma ferramenta útil para “comunicar” insatisfação e “convocar” reunião para o debate. Mas já havia um debate em curso. E os próprios sindicatos reconhecem isso.

Os sindicatos “atropelaram” o combinado. E esse erro é capital no processo. E, queiram ou não, no tocante a isso, o prefeito está coberto de razão, mesmo que ostente suas tantas falhas com os servidores.

Por fim, fico aqui com outra expressão do cotidiano popular: “não se cutuca a onça com vara curta”. Resta saber quem é a onça e quem é que tem vara curta nisso tudo. Certo é que torço por Cabo Frio, pelos servidores e pelos acertos do prefeito.


Alair Corrêa “debate” com servidores em frente à Prefeitura Alair Corrêa “debate” com servidores em frente à Prefeitura Reviewed by Alessandro Teixeira on 28.5.15 Rating: 5

9 comentários:

  1. Alair tem razão....os sindicatos se atropelaram....triste isso tudo..registro aqui o meu pesar

    ResponderExcluir
  2. Será que Onei esta comprado? Prefeito aproveitou a ocasião.

    Olho vivo........

    ResponderExcluir
  3. Será que Onei esta comprado? Prefeito aproveitou a ocasião.

    Olho vivo........

    ResponderExcluir
  4. #13CONFIRMA#11CONFIRMA e agora recebam. O que é muito interessante no atual cenário da "pátria educadora", onde houve o terceiro maior corte no orçamento, o ministério da educação perde R$ 9,42 bilhões de reais, apenas o estado do rio perdeu R$ 20.000.000,00 (vinte milhões de reais), o desemprego aumentando desesperadamente arruinando uma economia já combalida, e o mais contraditório disso tudo é que a categoria dos profissionais da educação, em sua maioria, são vermelhos e eleitores do PT. Este país é realmente surreal, os que deveriam abrir a mente das pessoas, alunos , os cegam com o discurso socialista!! RECEBAM!!!!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Moralmente o PT acabou, mas mesmo assim a CUT e seus serviçais se mobilizam apenas para aquilo que é escolhido,nada fazem em relação às sacanagens do governo federal que vem arruinando a vida de todos,é muita hipocrisia mesmo...

      Excluir
  5. Sou José Renato, Fiscal concursado e diretor da AFM
    Existe um detalhe que ninguém está colocando. Na reunião com o prefeito, em que ele propôs a reposição de 5,83%, ele deixou bem claro (e todos que participaram da reunião podem confirmar) que era "ou vai ou racha".Ele pretendia que fosse decidido ali pelos representantes aceitar os 5,83% ou seria 3,145% e ponto. Como isso não é possível pois, só a assembléia é legítima para tomar essa decisão, os representantes dos sindicatos comunicaram que essa proposta precisava passar pela assembléia. Desta forma quando a proposta não foi aceita pela classe, sabíamos que seria preciso fazer alguma pressão para sermos recebidos e isso se mostrou realidade quando o prefeito mandou ofício a todas as entidades cancelando a reunião de hoje por não ter sido aceita a proposta (tenho o ofício e se necessário posso escanear e divulgar). O prefeito, só depois de ver a grande quantidade de servidores na praça, se dignou a conversar conosco. Portanto nenhum sindicato "atropelou" nada. Além disso, mesmo estando abertos ao diálogo é preciso lembrar que o a lei complementar 11 de 2012 (o PCCR) criou o COMPARP, conselho paritário que tem a competência legal de definir qual será a revisão do Piso Municipal. Essa competência é do Conselho e nâo do chefe do executivo. Embora o prefeito insista em não cumprir a lei e nomear o conselho que é O ORGÃO COMPETENTE PARA REVISAR O PISO e estarmos exigindo isso judicialmente, nunca deixamos de tentar dialogar com a administração.

    ResponderExcluir
  6. Sou José Renato, Fiscal concursado e diretor da AFM
    Existe um detalhe que ninguém está colocando. Na reunião com o prefeito, em que ele propôs a reposição de 5,83%, ele deixou bem claro (e todos que participaram da reunião podem confirmar) que era "ou vai ou racha".Ele pretendia que fosse decidido ali pelos representantes aceitar os 5,83% ou seria 3,145% e ponto. Como isso não é possível pois, só a assembléia é legítima para tomar essa decisão, os representantes dos sindicatos comunicaram que essa proposta precisava passar pela assembléia. Desta forma quando a proposta não foi aceita pela classe, sabíamos que seria preciso fazer alguma pressão para sermos recebidos e isso se mostrou realidade quando o prefeito mandou ofício a todas as entidades cancelando a reunião de hoje por não ter sido aceita a proposta (tenho o ofício e se necessário posso escanear e divulgar). O prefeito, só depois de ver a grande quantidade de servidores na praça, se dignou a conversar conosco. Portanto nenhum sindicato "atropelou" nada. Além disso, mesmo estando abertos ao diálogo é preciso lembrar que o a lei complementar 11 de 2012 (o PCCR) criou o COMPARP, conselho paritário que tem a competência legal de definir qual será a revisão do Piso Municipal. Essa competência é do Conselho e nâo do chefe do executivo. Embora o prefeito insista em não cumprir a lei e nomear o conselho que é O ORGÃO COMPETENTE PARA REVISAR O PISO e estarmos exigindo isso judicialmente, nunca deixamos de tentar dialogar com a administração.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Pois é José Renato, o comentário do amigo Alessandro Teixeira foi extremamente infeliz.
      Na verdade o prefeito pensou que cancelando a reunião, estaria fugindo da negociação, mas quando ele viu a pressão dos servidores na porta da prefeitura, resolveu aparecer para mostrar toda a sua prepotência e suposta soberania. Acabou sendo vaiado e perdeu a compostura.
      Sabemos que o prefeito nunca esteve disposto a cumprir o PCCR, tanto que por meio do partido a que pertence, tenta incansavelmente anular o plano e tudo o que ele puder fazer para dificultar essa e outras negociações, ele vai fazer.
      Cobertos de razão estão os servidores que veem sendo desrespeitados nos seus direitos, atacados na sua moral e achincalhado pelo prefeito e sua trupe.
      Defender ato de má fé, não é legal...fica a dica!

      Excluir
    2. Senhor ou Senhora "Agr", seu comentário, ao dizer que "Defender ato de má fé, não é legal" foi extremamente infeliz. Se acompanha o meu trabalho e a minha linha de raciocínio, deveria saber que não apoio o erro. No entanto, o histórico das reuniões foi divulgado pelos Sindicatos, aos quais tenho dado ampla visibilidade. Fica a dica!

      Excluir

Tecnologia do Blogger.