Exumação no cemitério de Jardim Esperança pode parar na Justiça

Não bastasse a dor de sepultar um ente querido, a família do senhor Elício da Silva, falecido em 2010, foi até o cemitério do bairro Jardim Esperança, em Cabo Frio, para dar início ao procedimento de exumação dos restos mortais do corpo e recebeu uma notícia que causou revolta: no jazido foi encontrado outro cadáver.

No local onde deveriam estar os restos mortais do senhor Elício da Silva está sepultada,
desde 2014, outra pessoa.
A família procurou o responsável pelo cemitério e apresentou documentos que comprovam que aquele jazigo onde deveriam estar os restos mortais do senhor Elício da Silva havia sido comprado e, além de não autorizar a exumação fora do prazo de cinco anos, não foi dada a permissão para que a cova viesse a ser usada para sepultamentos diferentes daqueles fora das relações de parentesco dos reais proprietários.

- Essa mais uma questão indigesta para resolvermos. Meu pai faleceu há 4 anos – completará 5 anos agora no dia 28 de julho – e, após esse grande golpe da vida com a partida dele, nossa família tomou a decisão de comprar em parcelas a cova. Para quê? Para hoje simplesmente meu cunhado aparecer no cemitério e descobrir que retiraram ano passado os restos mortais do meu pai, colocaram num saco qualquer e sequer ligaram para família, comenta Cris Moraes, uma das filhas do senhor Elício.

O livro de anotações da exumações do cemitério do Jardim Esperança não tem, no jazigo 1785,
a autorização da exumação pela família do senhor Elício da Silva.
De posse dos documentos de propriedade do jazigo, a família tem percorrido diferentes setores da Prefeitura de Cabo Frio e aguarda respostas quanto à responsabilização pela prematura retirada da ossada e quanto à destinação dos restos mortais. “Não temos sequer a informação de onde estão os ossos de meu pai. Nós temos esse direito. Queremos fazer as homenagens que ele merece e construir no local uma estrutura compatível com a importância que ele tinha para nossa família”.

- Mesmo tendo sido mostrados os documentos e comprovada a quitação da compra da cova, não conseguimos encontrar os restos mortais de nosso pai e o que vemos hoje lá é outro corpo, de uma pessoa que a gente nem sabe quem é. Não foi de graça, somos três irmãos e pensando em nossa família, que com dificuldade e honestidade compramos e quitamos a cova, para sermos surpreendidos com tamanho descaso.

Ao todo foram pagos R$ 943,85 pelo direito de ter um jazigo perpétuo, sendo seis parcelas
de R$ 133,88 e uma de R$ 140,57
A família promete levar o assunto aos tribunais e vai responsabilizar o município pela negligência e crime de vilipêndio de cadáver, conforme prevê o artigo 212 do Código Penal. 

- Somos pessoas comuns, trabalhadores e por isso devemos merecer tamanho respeito da gestão pública da nossa cidade. Descobrimos de forma desrespeitosa que os restos do meu amado e saudoso pai foram retirados de uma cova que pagamos. Estamos indignados, nos sentimos lesados emocional, financeira e psicologicamente!


Exumação no cemitério de Jardim Esperança pode parar na Justiça Exumação no cemitério de Jardim Esperança pode parar na Justiça Reviewed by Alessandro Teixeira on 19.5.15 Rating: 5

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