Moradores do bairro Guarani, em Cabo Frio, pedem socorro

Era para ser o primeiro bairro "completamente acessível à população com rampas de acessibilidade, piso tátil e sinalização em braile, dando mais tranquilidade e segurança aos moradores da comunidade", conforme divulgação da prefeitura de Cabo Frio, no fim de 2014. Porém, o sonho se transformou em pesadelo e assim como em outros pontos da cidade o bairro Guarani teve as obras abandonadas, há cerca de cinco meses. E os moradores estão pedindo socorro. 

Destruição patrocinada pela Prefeitura de Cabo Frio no bairro Guarani

O maior problema, conforme os moradores, está no fato de que a Prefeitura mandou retirar todo o calçamento do meio fio para que fossem colocados novos pisos, com calçamento adequado à acessibilidade e outras benfeitorias. Mas, com a paralisação das obras, uma parte das ruas teve as calçadas substituídas por completo. Em outras vias, calçadas de um lado da rua estão arrumadas e do outro, é só areia.

Mas o ponto mais crítico está no quadrilátero onde sairiam "ruas-praças": Almirante Tamandaré, Visconde de Ouro Preto, Conspiração e Tomé de Souza. A Rua Djalma Azevedo - que cruza estas ruas também tem calçamento por fazer. Na mesma região, a Rua Henrique Dias tem o mesmo problema do trabalho inacabado. Em algumas destas ruas moradores já desistiram de esperar a retomada das obras e refizeram parte da calçada onde estão as entradas de suas residências.

"O problema é o poeirão e a casa que não para limpa. Minhas netinhas vivem com rinite e bronquite. A prefeitura tinha que ter pena da gente", disse a senhora, moradora da Rua da Conspiração. Em um bar perto dali, na Rua Djalma de Azevedo, um senhor de 66 anos, ao perceber a presença da reportagem do Portal RC24h, reclamava que "era melhor que a prefeitura não tivesse retirado todo o calçamento do bairro". "Por que não foram fazendo aos poucos? Agora que o dinheiro acabou como vai ficar? Eu não tenho verba para bancar a calçada da minha casa não", disse Antenor Silveira, morador da mesma rua.

Em uma outra ponta do bairro, perto do colégio estadual Professor Renato Azevedo, as mesmas reclamações. Em frente à instituição, em um depósito de bebidas da Rua 31 de Março, Hiraldino Raimundo, conta que o problema é o mesmo. A calçada antiga foi retirada e a prefeitura começou a colocar o piso novo. Mas tudo foi interrompido e passar por ali ficou perigoso, visto que o "calçamento", ou a falta dele, é sinônimo de um tropeção ou até um tombo mais grave. "Está assim há meses e ninguém veio nos dar uma satisfação até agora".

Prefeito anuncia em rede social que obras podem ser retomadas em julho

E as reclamações do Guarani chegaram às redes sociais. Na página do Facebook, do prefeito Alair Corrêa, vários moradores pedem providências e reclamam dos transtornos pelos quais estão passando. Segundo Alair, as obras serão retomadas no mês que vem.

"Em julho estaremos retomando a obra, tivemos que interrompê-la devido à queda dos royalties, como fizemos com todas as outras obras", disse o prefeito. "Quando começamos a obra recebíamos por mês 17 milhões de reais o que caiu para apenas 7 milhões. Ninguém no mundo imaginava que isto fosse acontecer (...) não tenho bola de cristal para adivinhar (...) Falei julho porque espero uma arrecadação melhor, mas não melhorando teremos que esperar pois o dinheiro que arrecadar hoje tem destino: a folha de pessoal. Obras só com a melhora da arrecadação", finalizou Alair Corrêa.

Fonte: RC24h

COMENTÁRIO

Chega a ser hilário o comentário do prefeito Alair Corrêa. Na verdade, o se vê é a aplicação da máxima "o que está ruim pode piorar". E foi exatamente o que aconteceu com o bairro Guarani, há anos abandonado pelo poder público. E, depois da "bonança" do anúncio de transformação do bairro em bairro modelo, veio a tempestade. O cenário ficou bastante piorado.

A promessa de retomada das obras em julho condicionada à melhora da arrecadação dá a exata dimensão do problema de gestão que se instalou em Cabo Frio. 

Explico: o prefeito não precisa ter bola de cristal para adivinhar as circunstâncias econômicas mundiais. Se houvesse o mínimo de interesse em acompanhar a evolução - ou involução - do preço do barril do petróleo e a cotação do dólar, já seria possível fazer uma projeção do impacto, uma vez que o preço do barril já vinha "descendo a ladeira", no orçamento municipal.

Antes, os moradores do Guarani tinham calçadas ruins, sem acessibilidade e totalmente irregulares. Agora, com a intervenção da Prefeitura, não têm sequer calçada e o bairro é o modelo do que não se deve fazer com a população.

Pobre Cabo Frio rica!

A título de colaboração, já que sou um cabo-friense desejoso de transformações positivas, reapresento para o prefeito e seus secretários, especialmente o da Fazenda, dois links para acompanhamento do preço do barril do petróleo e da cotação do dólar. Cruzando os dados - em Cabo Frio o povo já tem cruzado os dedos -, fica um pouco menos árdua a tarefa da adivinhação:

Link 1 - Cotação do Barril de Petróleo

Link 2 - Cotação do dólar
Moradores do bairro Guarani, em Cabo Frio, pedem socorro Moradores do bairro Guarani, em Cabo Frio, pedem socorro Reviewed by Alessandro Teixeira on 26.6.15 Rating: 5

2 comentários:

  1. Muito bom o comentário! Descreve perfeitamente o que Cabo Frio está passando e PORQUE (OU SERIA POR QUEM?).

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  2. Mas se as empreiteiras estão sendo pagas e parte de suas atribuições é o calçamento das vias públicas, por que as ruas estão assim? Gostaria de uma reportagem que esclarecesse a função das empreiteiras ligadas a esse setor, como a Ecomix.

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