SILVANA BRAGA | O governo escolhe onde os investimentos serão melhor recebidos com aplausos

Meu filho alegremente comentou comigo sobre algo que ele viu na televisão: um homem se equilibrando em um monociclo enquanto fazia malabarismo com as mãos, sem deixar cair nenhum bastão no chão. Então pensei em minha cidade, Cabo Frio, onde o desiquilíbrio impressiona tanto quanto a atração televisiva descrita pelo meu filho. 

Uns com tanto e outros com tão pouco ou quase nada. O centro da cidade e a orla recebem obras, refazem obras, fazem manutenção de obras, coleta de lixo duas vezes por dia, policiamento, escolas, investimentos e mais investimentos. E, ainda assim, cada dia mais tem placas de venda e de "passo o ponto" em diversos locais da cidade, num sinal claro de que tudo isso não está suficiente para alavancar e desenvolver a cidade.

Imagem extraída do site Ethos Filosófico [adaptações feitas]

Por outro lado, temos o Segundo Distrito e a periferia. Quantas e quantas vezes vi representantes do Segundo Distrito, das Associações de Moradores, reivindicando mais segurança, alertando para as questões de infraestrutura, solicitando melhorias para aquela área. Lá sempre foi grande e hoje é populoso também. Mas só lembram dessa área em tempo de eleição. Até o acesso dos moradores do Segundo Distrito para a cidade é limitado, pouca condução, pouco tudo.

Mas sou da periferia, de onde posso falar com conhecimento de causa e como quem fala de um filho. Nossos problemas são fáceis de serem resolvidos, mas, pelo visto, teremos que esperar o período eleitoral, assim como nossos concidadãos do Segundo Distrito. 

Enquanto isso, na Escola Municipal Marília Plaissant, toda vez que chove mais forte, os alunos têm que ser dispensados devido às goteiras nas salas de aula. A diretora já pediu a reforma e o problema se arrasta desde o ano passado, sem solução. 

Na área da Saúde, escuto que o problema da falta de pediatras na emergência do Hospital Otime Cardoso dos Santos é em decorrência da agressividade de pais e mães que ameaçam e batem nos médicos da unidade. Pergunto: cadê os guardas municipais que deveriam proteger o patrimônio da cidade como o hospital? E respondo: estão nas ruas multando carros irregulares. Para isso tem guarda. Para cuidar dos patrimônios municipais não tem, para fazer travessia de crianças na saída das escolas não tem. As calçadas e ruas do Jardim Esperança estão cheias de lixo, a coleta é tão irregular quanto à varrição.

A cidade está em crise, não é mesmo? Para o mínimo necessário não tem. 

Como venho afirmando, esta crise é um “fake”. Tanto é que o aumento para os servidores saiu. As câmaras de segurança estão sendo instaladas, tanto no Hospital Otime Cardoso dos Santos quanto na Central de Marcação, para garantir a segurança de seus funcionários (ainda bem!). A reforma do Ginásio Vivaldo Barreto também vai sair agora. Dinheiro tem! A questão é que ficam escolhendo, por força midiática, onde o investimento será melhor recebido com os aplausos.

Só um aspecto importante: o eleitorado não é mais o mesmo, não se engana com essa facilidade. E se isso por ventura ocorrer, sempre terá alguém para lembrar a todos destes dias cinzentos que estamos sendo obrigados a viver em benefício de pouquíssimos. Isso é só uma dica! Ponto de equilíbrio é tudo em uma administração municipal! 

SILVANA BRAGA, cidadã e professora de História.

SILVANA BRAGA | O governo escolhe onde os investimentos serão melhor recebidos com aplausos SILVANA BRAGA | O governo escolhe onde os investimentos serão melhor recebidos com aplausos Reviewed by Alessandro Teixeira on 30.6.15 Rating: 5

2 comentários:

  1. Eu não diria dias cinzentos, mas com muita propriedade décadas cinzentas, o modelo dessa gente é muito antigo, e quanto ao eleitorado penso que só em quantidade ele cresceu, cresceu muito. Quanto a qualidade continua sendo uma população sem educação, e que não consegue se organizar com algumas exceções sindicalizadas. mudanças são extremamente necessárias, entretanto só seria possível com pessoas mais esclarecidas e menos dependentes deste modelo.

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    1. Uma pena que organização de " alguma " exceções sindicalizadas, não seja em prol da sociedade, mas sim, em seus próprios interesses.

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