SILVANA BRAGA | Sou parte da população que está sofrendo na porta do hospital

Existem algumas frases que escutamos e que ficam guardadas. Uma delas diz que "do caos vem a transformação" e outra diz "a reação deve ser proporcional à ação". Quando pensamos em Cabo Frio, percebemos que essas duas frases se complementam. 

Estávamos vivendo uma época de caos moderado, onde a população - não devia - aprendeu a viver entre limitações e dificuldades. Desta forma, era necessário piorar o caos, para assim poder dizer que promoveu uma imensa transformação. E assim está sendo com a Saúde em nosso município. Entretanto, é preciso fazer algumas ressalvas quanto a esta área, pois não é todo o sistema que está comprometido. 


Começo pelo Hospital da Mulher. Ali nasceu minha sobrinha, meu afilhado e suas irmãs, meu filho caçula e meus netos. O atendimento é muito bom, com profissionais excelentes e tratamento humanizado. Quanto a esta unidade, lamento apenas que não tenha sido bem utilizado o Banco de Leite, que acabou fechando. 

O Hospital São José Operário é outra unidade que merece carinho por seus profissionais e atendimento qualificado. Quanto ao Hospital de Tamoios, não posso falar nada, pois nunca estive lá. E no ambulatório do Hospital do Jardim Esperança, do PAM (São Cristóvão) e do Posto Oswaldo Cruz (Braga), quanto ao atendimento médico, acredito que só falte mais organização, pois às vezes estas unidades nos deixam perdidos.

No entanto, o campeão de reclamações é o Hospital do Jardim Esperança e desse eu posso falar por conhecimento de causa. Os exames de hemograma continuam suspensos e sem previsão de retorno, isso informado durante a semana. Aliás, hoje também vi a senhora da marcação de exame orientando uma pessoa a comprar o líquido para fazer a cultura de fezes, pois não tinha na unidade. E também vi gente fazendo reclamação na Ouvidoria por conta da farmácia do Hospital, pois a funcionária saiu para almoçar e deveria abrir às duas da tarde. Mas até duas e quarenta estava fechada e sem ninguém para dar informação do que estava acontecendo. 

Quando falta um pediatra, a porta da emergência fica fechada, o que dá a impressão de que a escala é feita com apenas um pediatra por plantão. Ou seja, são problemas pontuais e na maioria relativos à administração e gestão, já que o médico falta, falta remédio, falta medicação.

Eu achava que não entendia, mas então lembrei das duas frases do começo do artigo e tudo ficou claro. Eu sempre digo que o Grande Jardim Esperança é a maior periferia da Região dos Lagos; nossa população supera a de alguns municípios da nossa Região. O bairro por si só já é grande. 

Quando agregamos os bairros adjacentes, essa proporção fica enorme. E aí está o sentido do que está acontecendo. A unidade do Jardim Esperança é a mais crítica e criticada de toda a cidade e, desde que foi feito o anúncio que em três meses teríamos uma saúde modelo, a coisa até piorou por aqui. E esse é o sentido: só vai dar eco se for no hospital que faz mais atendimento, que atende a maior população. 

Já soube que todos os serviços da unidade serão terceirizados. Só fiquei curiosa quanto ao processo de licitação. Mas isso nem me impressiona mais visto que nem a Conferência Municipal de Saúde foi convocada. Búzios fez, Arraial do Cabo fez, Iguaba fez e Cabo Frio, nada até agora.

Então, vou aproveitar para fazer um esclarecimento: não sou oposição, sou cidadã, sou parte da população que está sofrendo na porta do hospital, que precisa fazer um exame, que precisa de remédio, que precisa de atendimento de emergência, que sai de casa à noite para marcar ficha e que não consegue nada pelos mais variados motivos e desculpas e que só não perdeu a chancela da dignidade por ser uma pessoa esclarecida.

E não vamos esquecer: faltam dois dias. E tenho certeza que muitas coisas ainda vão piorar. É só uma impressão, senão o plano vai falhar.

SILVANA BRAGA, cidadã e professora de História.

SILVANA BRAGA | Sou parte da população que está sofrendo na porta do hospital SILVANA BRAGA | Sou parte da população que está sofrendo na porta do hospital Reviewed by Alessandro Teixeira on 16.7.15 Rating: 5

2 comentários:

  1. A Conferência Municipal de Saúde - Cabo Frio, vai acontecer nos dias 23 e 24 de julho/2015 e será no Hotel Paradiso Corporate. Não sei porquê, mas o Hospital de Jardim Esperança está sem diretor Médico, pois Dr.Sergio Bandeira não é mais o diretor do referido hospital. Eu como mãe de uma criança de 07 anos, me resta a esperança de melhorias na Pediatria, uma vez que a Dra.Vanessa Matalobos, retornou ao comando da Pediatria. Essa médica ,no governo passado fez um excelente trabalho na Unidade.

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  2. O Estado benevolente, ao qual todos recorrem em suas necessidades, garantidor de direitos reais e imaginários, provedor inesgotável, inclusive das mais insaciáveis demandas, o Brasil fez e faz, ao contrário, uma opção fundamental pela pobreza.
    Jamais criamos ou nos ocupamos seriamente dos pré-requisitos do desenvolvimento: a) educação de qualidade para todos, habilitando a juventude brasileira à realização de suas potencialidades e inserção produtiva na vida social, política e econômica; b) estímulos ao mérito e às manifestações de talento em todas as dimensões do humano; c) saneamento básico e adequada atenção à saúde; d) geração da infraestrutura necessária às atividades produtivas; e) segurança jurídica e respeito ao direito de propriedade; f) rigorosa proteção constitucional do cidadão contra o Estado; g) contenção da máquina pública dentro dos limites da capacidade contributiva da sociedade; h) economia de mercado; e i) um modelo político racional que separe Estado, governo e administração.
    Tendo optado pelo Estado provedor, inclusive durante os governos sob orientação militar, o Brasil olha para o horizonte eleitoral de 2018 movido pelas mesmas cismas que orientaram os partidos políticos e o eleitorado em todos os últimos pleitos: nenhum candidato do quadrante liberal-conservador, nenhum de centro, todos do centro-esquerda para a esquerda. A crise em que estamos será a pior conselheira para as eleições por vir. Não faltarão candidatos para receitar ainda mais do mesmo veneno a uma prefeitura e nação enferma. Pretenderão resolver a crise do Estado oferecendo ao eleitor mais e mais Estado. Trarão pás e escavadeiras para aprofundar o buraco. Cabo Frio já era...

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