Alair Corrêa cancela desapropriação e adia sonho da Escola de Qualificação do Turismo

O Turismo tem sido usado nos discursos do prefeito Alair Corrêa como alternativa para que o município aumente a arrecadação própria e, consequentemente, se torne menos dependente dos repasses dos royalties do petróleo, que vem sofrendo quedas acentuadas desde o início do segundo semestre de 2014.

Tendo como argumento a necessidade de investimentos na indústria do turismo, Alair Corrêa anunciou uma série de medidas assim que assumiu a Prefeitura, em janeiro de 2013. Algumas foram executadas, entre elas a derrubada da pista de skate na Praia do Forte para a construção da nova praça das águas, o que custou milhões aos cofres públicos. Outras, como a revitalização da Joaquim Nogueira, no entanto, não prosperaram.

HOTEL ACAPULCO | As instalações estão depredadas e desapropriação foi cancelada pelo prefeito

Apostando no fomento ao setor turístico, o prefeito desapropriou, também em janeiro de 2013, duas áreas de grande valor no mercado imobiliário: o prédio das Sendas, onde seria construído o Centro de Convenções, e toda a estrutura do Hotel Acapulco, cujas instalações cederiam lugar para a construção da “Escola de Qualificação do Turismo”. 


Contrariando as expectativas daqueles que esperavam ter um centro de convenções e uma escola especializada na formação de mão de obra para o mercado do turismo, o prefeito Alair Corrêa publicou Decreto n° 5.412/2015 cancelando a desapropriação do imóvel que abrigaria a Escola de Qualificação do Turismo, sepultando, assim, o sonho de muitos jovens, que veem no Turismo um caminho para o crescimento profissional.

Vereador sugeriu a criação de cursos de qualificação para o Turismo

Em janeiro de 2013, uma semana antes da publicação da desapropriação do prédio do Hotel Acapulco, o vereador Vanderlei Bento, vice-presidente da Câmara Municipal, havia apresentado indicação solicitando ao prefeito a “criação de cursos de qualificação voltados para o ramo do Turismo”.

De acordo com Vanderlei, “uma cidade turística com mão de obra sem qualificação não tem condições de avançar no setor. Preparar os profissionais deve ser uma das primeiras etapas no processo de consolidação do Turismo enquanto mola propulsora a economia municipal”.

Procurado para falar sobre o cancelamento da desapropriação, o vereador disse que “Cabo Frio está perdendo a oportunidade de investir no futuro. Claro que os fenômenos econômicos atuais não permitem ao município arcar com os custos de uma estrutura do tamanho daquela vista no Hotel Acapulco. No entanto, estamos falando de um processo iniciado em 2013 e, de lá para cá, muitos jovens já poderiam estar formados e com uma nova perspectiva no mercado de trabalho”.

COMENTÁRIO

Impressiona o fato de nada estar dando certo (aliás, só deu certo no jingle da campanha eleitoral!). Como bem disse o vereador Vanderlei Bento, o processo de desapropriação foi iniciado em janeiro de 2013, ano em que a cidade não amargava os efeitos da crise. 

Assim, só mesmo a incompetência administrativa para justificar tamanha falta de zelo com a coisa pública. E, neste contexto, a falta de zelo arruína aqueles da iniciativa privada, haja vista que o Hotel Acapulco poderia estar em pleno funcionamento, gerando emprego para nossa gente.

O decreto de cancelamento da desapropriação é mais um retrato do (des)governo que temos. O prefeito foi, como dizem, “com muita sede ao pote” e se prestou ao desserviço de anunciar e decretar desapropriações que vão desde o Hotel Acapulco, ao prédio das Sendas e boa parte de residências e estabelecimentos comerciais da Avenida Teixeira e Souza, que passaria por uma duplicação. [Temos todas as publicações].
Alair Corrêa cancela desapropriação e adia sonho da Escola de Qualificação do Turismo Alair Corrêa cancela desapropriação e adia sonho da Escola de Qualificação do Turismo Reviewed by Alessandro Teixeira on 31.8.15 Rating: 5

4 comentários:

  1. A Administração municipal respira por aparelhos, mas estes devem ser desligados em breve, só estão esperando o Padre chegar.Já não há mais nenhuma chance nem esperanca por mais triste que seja está constatação ,agora é apenas uma questão de tempo para que tudo se acabe e este paciente terminal descanse em paz.

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  2. Se Cabo Frio depender do turismo para que fique: "menos dependente dos repasses dos royalties do petróleo..." um minuto de silêncio por favor e Ô coitado!!!
    Vou ser obrigado a concordar com o prefeito. Por acaso o turismo da cidade é qualificado, para ter atendimento qualificado? Pelo andar das vans e ônibus, o atendimento etá VIP.
    Cai na praia minha gente. Cabo Frio só dá povero (em italiano,para ficar mais chique) no verão.

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  3. Foi triste passar pelo prédio do antigo Hotel Acapulco essa semana e ver como está caindo aos pedaços sem que nada útil seja feita ali. Seria mesmo interessante o uso do espaço para uma escola de especialização em turismo pra juventude. Aliás, seria uma enorme satisfação pra sociedade ver qualquer espaço daquele porte ser utilizado em prol da educação, no geral.

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  4. Hotel está fechado porque foi uma construção ilegal, está sobre área Federal da Marinha, uma invasão e além disso um crime ambiental pois está numa reserva ambiental.
    Deveriam derrubar pois virou um ponto perigoso, pessoas podem se esconder ali ou esconder coisas.
    A estrutura já está condenada e a fossa contaminará o lençol freático, o que causará danos irreparáveis.
    Seria contraditório fechar o hotel por crime ambiental e reabrir para um hotel escola, é um absurdo o prefeito mexer em algo que não é de sua competência, sua jurisdição. Com relação ao projeto de hotel escola, seria apenas um cabide de empregos de indicados pelo prefeito, sem concurso e na verdade desnecessário pois o IFF de Cabo Frio, o Senac, o Sebrae e a FAETEC de Araruama oferecem cursos na área de turismo, o que falta é interesse por parte da população e faltará demanda para uma escola já que nosso turismo é sazonal.
    Outro ponto importante é lembrar que é da competência do governo do estado esse tipo de serviço e por isso existe a FAETEC. Uma boa proposta seria trazer o SESC para a cidade.
    Precisamos criar atrativos turísticos para não ficar apenas no sol e cerveja. Um turismo cultural, ecológico, histórico, gastronômico e até rural trariam um resultado positivo para a cidade durante o ano inteiro. O parque das garças é um exemplo, os Quilombolas, as APA.
    Não misturem os problemas de âmbito municipal, com o estadual e federal. Cheguei na cidade há dois anos e sei de coisas da política local que fariam o diabo ter vergonha.

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