OPINIÃO | Casa de Repouso na cidade abre 17 vagas

As nossas Câmaras legislativas aposentaram sua prerrogativa fiscal há décadas e passaram a funcionar como escolinha da velha política. Não atendem mais aos interesses do povo e se tornaram um apêndice do Executivo. Votam de acordo com os prefeitos e cadeiras da plenária se tornaram peças de inventário das heranças dos novos coronéis, onde os herdeiros dos bem-nascidos com sobrenomes de avenidas e pontes tomam assento de forma vitalícia.


Os conselhos municipais, que representaram um avanço democrático na Constituição de 1988, hoje ocupam o limbo social de forma melancólica. O povo não se interessa em ocupar suas cadeiras e os membros escolhidos pelo governo acabam esvaziando a função fiscalizadora e consultora-gestora dos conselhos. O conselheiro que se opor à tutela do Executivo recebe imediatamente a “portaria do silêncio” e busca assento na linha de produção da corrupção passiva.

O eleitor é o verdadeiro criador dessa criatura chamada governo. É o fiador de todas as ações do Legislativo e juiz de ambos os poderes, o fiscal soberano e o carrasco supremo com o seu imenso machado do voto.

As associações de moradores foram implodidas pela instituição das sub-prefeituras, proposta do governo do prefeito carioca, o “maluquinho” César Maia quando implantou seus projetos mais ambiciosos, o Rio-Cidade e o Favela-Bairro. Desde então, os serviços públicos foram se aproximando mais do morador e a função das associações se perderam completamente. O seu apelo social e suas demandas sucumbem diariamente nas gavetas dos vereadores da velha política.

Os movimentos sociais que militam por causas segmentadas, gerados no útero da exclusão social, com seus dignos e legítimos manifestos de fundação, também são recrutados do alto de seus ideais apartidários na campanha eleitoral. Os movimentos se tornam cabos eleitorais comprometidos, no caso de vitória, com a máquina do governo. Perdem, assim, a credibilidade, a possibilidade de formar cabeças e a autonomia de ação.

O eleitor é o verdadeiro criador dessa criatura chamada governo. É o fiador de todas as ações do Legislativo e juiz de ambos os poderes, o fiscal soberano e o carrasco supremo com o seu imenso machado do voto. Tal ferramenta deveria ser usada para cortar quais e quantas cabeças achar necessário para que se restabeleça a ordem e a republicana gestão pública. Ele é o cozinheiro e o cliente do ‘pub’ da política.

Sendo assim, se queremos encontrar um culpado para o caos estabelecido que estamos vivendo na cidade e no país e o esvaziamento das instituições acima citadas, já sabemos onde ele encontrá-lo.

GILMAR AGUIAR é fundador do Movimento Voto Vivo e membro do Elo Estadual da Rede Sustentabilidade.
OPINIÃO | Casa de Repouso na cidade abre 17 vagas OPINIÃO | Casa de Repouso na cidade abre 17 vagas Reviewed by Alessandro Teixeira on 31.5.16 Rating: 5

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