OPINIÃO | O limão e a cachaça

Esta manhã, as manchetes serviram um café amargo ao partido do vice-presidente, Michel Temer que as redes sociais, imediatamente trataram de turbinar o informe de que Cunha e Temer finalmente foram impedidos pela justiça de continuarem liderando com tamanha liberdade os rumos do país pós-impeachment. Enquanto Temer foi julgado inelegível por oito anos, Cunha foi retirado do mandato por liminar.

O que isso interfere em Cabo Frio?


Podemos conjecturar que as portas da justiça federal se fecharam para o tráfico de influência do PMDB e isso pode trazer problemas para o pré-candidato Marcos Mendes, que se encontra condenado, aguardando a tempestade em Brasília passar para poder enviar seus advogados munidos com os “argumentos” de sempre para reverterem o processo.

Picciani passa a ter importância fundamental neste cenário, já que conseguiu ganhar a disputa pela liderança do partido no Congresso coroando seu filho com líder da bancada. Da mesma forma, tratou de se afastar de Pezão, apontando-o como responsável pela falência do Estado, enquanto o governador luta contra um câncer num leito de hospital. O vice-governador, e também canceroso, Francisco Dornelles, do PP, o partido de Alair Corrêa que é protagonista na Lava-Jato, também segue isolado por Picciani, que assiste ao circo pegar fogo na sua trincheira, longe da artilharia inimiga.

Será que Picciani vai lutar por Marquinho em Brasília ou será que vai lançar mão da sua “segunda via” e deixar deputado vagar com os seus 102 processos, sozinho pelo TSE e STF? Afinal o que Picciani ganharia com isso? Ajudar o deputado ou dá-lo como caso perdido e investir em Janio, mantendo o PDT na janela do ônibus e reunindo novamente os dois no mesmo palanque?

Enquanto isso, Alair joga os búzios do empréstimo para solidificar sua candidatura, pois se Janio for o candidato, facilitará novamente para ele. 

As pesquisas indicam que uma grande coalizão das candidaturas PDT-PSDB-REDE-PT-PSOL seria uma grande oportunidade para encerrarmos o ciclo de 20 anos, que é o que a maioria dos eleitores demonstra nas pesquisas, quando contabilizamos a rejeição de Alair e Marquinho.

Mas como o candidato não está preocupado com o que deseja o povo e sim em pendurar seu quadro na parede da sala do prefeito (que só tem um prego), sobram poucos caminhos para que o povo possa ter esperança de mudança. Um deles é a condenação de Marquinho em Brasília, outro é a não saída do empréstimo para Alair, o que seria péssimo de qualquer forma, para a cidade. 

A verdade é que a turma que propõe renovação não está conseguindo atrair os indecisos e a rejeição monstruosa da dupla dinâmica, o que revela uma insegurança extrema do eleitor e uma incapacidade absurda de coordenação de campanha dos mesmos no sentido de atrair grupos populares e em sensibilizar o eleitor. 

A leitura que fazemos é que a turma da renovação é dividida em três: um é azedo como limão, outro é amargo como cachaça e outro é doce como açúcar. Separados, têm lá, seus apreciadores, porém, juntos, atrairiam todos os eleitores para brindar a vitória com uma deliciosa caipirinha.

GILMAR TAMOIOS é coordenador do partido Rede Sustentabilidade e fundador do Movimento Voto Vivo.
OPINIÃO | O limão e a cachaça OPINIÃO | O limão e a cachaça Reviewed by Alessandro Teixeira on 5.5.16 Rating: 5

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